15 de setembro de 2008

Amir Haddad é Rima Dada

O sujeito faz a chegança. Discretamente como quem ensaia um passo ao som do multimídiatico petróleo. Ouvê o vídeo, as memórias, a história... Quase chora! Levanta-se e de pronto, reclama do móvel, do imóvel móvel do petróleo. Petróleo também é cultura. De quem a gente não sabe, mas ele sabe muito bem! O sujeito cidadão poemiza o espaço, desmonta sua arquitetura Status-Quo e dramatiza sua relação comigo e com os outros.

O sujeito abre alas, abras asas, abre os braços e um sorriso. E depois do Ponte Preta exibe sua magnânima Pinta Preta! Narra sua história, apresenta suas memórias, assim, ao ar livre do planalto central encaixotado pelo petróleo. Discorre se escorregando da ideolgia cadeira abaixo. E depois se apruma e se indigna com a imobilizada távola nem tanto redonda...

O sujeito circula pelas entranhas das mentes desejosas, atônitas diante de seu tom! Tom claro, brilhante, inebriante, sem cheiro de petróleo. E no seu círculo cria seus personagens carnavalescos-dionisíacos-do-futebol. E goleiam a platéia com seus dribles de enredo instigante. E saímos do círculo estéril em busca do circo etéreo...

E o sujeito sai dos eixos em monumental desfecho. Volta pras avenidas, becos e vielas. O sujeito esteve e está e sempre estará na rua. E me despeço com minha rima pobre no breve encontro com o sujeito nobre!

MARCELO MELO 27-08-2008

(Encontro com Amir Haddad no Cena Contemporânea 2008 em Brasília)

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