5 de Abril de 2009

Como Nasce a Confiança

Um bebê é colocado sobre a mãe. Procura o peito, logo ao nascer. Se alimenta. Dorme. Ali, econtra uma certeza e uma garantia. Sua mãe está inteiramente pronta e preparada para ele. Ele, por sua vez, não titubeia uma fração de segundo sobre quem ele é para ela. Ele não pode titubear, não sabe questionar, não é capaz de duvidar, supor: “Será que esta é minha mãe?”
Neste instante preciso, a confiança brota. A confiança não é um acerto ou acordo intelectual. É um estado emocional, não um produto racional, é uma condição do espírito. Sente-se e pronto! Não é passível de conjecturas e indagações. Ou você tem ou não tem, ou está nesse estado ou não está.
Só se aprende isso quando você arranca o seu coração do meio de suas entranhas e vísceras e entrega na mão de outrem sem pestanejar. Este outro, matém sua vida acesa, mesmo enquanto parte de você já não lhe pertença.
A grande verdade sobre a confiança é que ela não brota em você, apenas cresce. Ela é regada e mantida por quem, por sua vez, entrega também toda a existência que possui a você. E quando você interfere com imaginações cinematográficas sobre tudo o que a confiança gera entre dois seres e recebe um telefonema madrugal, confortanto o seu ser para o dia seguinte, é quando você pára de pestantejar, titubear e indagar: “ Será que meu coração ainda bate?” E a dor se vai...

12 de Fevereiro de 2009

Ode a Conceição (Ês Pêns quius ôins é Dêis)

Oiânnus carrú diboi
Pensannos tremda cidad
choranas pacham daterr
lembran nos povimdilá

ês pens quius ôins é dêis (4x)

vimbora pá-trabaiá
cávi tan quius prédiegrand
cantan naquespóin diôins
fazenum din-din pramim

ês pens quius ôins é dêis (4x)

voltanupa discan sá
usôin tam Chêipadaná
uns-réla só dissentá
usôtna bader naçam

ês pens quius ôins é dêis (4x)

pensannos povimdicá
sujannos ôin dissugerr
saudá dubarru dilá
senhôins! Icons pé-pandá

ês pens quius ôins é dêis (4x)

11 de Fevereiro de 2009

TUDJUNT

Quando a vida é “tudjunt”, as notícias vêm de dentro porque o universo de dentro é muito maior do que o de fora. As notícias de fora na verdade vêm da anisedade desse universo. Tudo está aí, sempre! Mas sempre é um pequeno item que precisamos enxergar com microscópio. Por isso surgiram as ciências. Pra que a gente possa observar o sempre que é bem pequeneninho. Dentro da gente existe um monte de sempres, querendo mandar notícias e como a gente não entende muito bem, fazemos reportagens sobre tudo o que está dentro. Na maioria das vezes o que está fora é pretexto pra isso. Como o nome já diz, um pretexto é um texto que vem antes. O texto mesmo na vida “tudjunt” tá lá dentro. E se você perguntar que notícias são essas... Sabe aquele dia em que você acordou e seus olhos não conseguiram abrir sozinho? E quando você descobriu que tinha um fio de cabelo que era maior do que todos, no braço? Você já contou quantas faixas brancas tem nas pistas e nas estradas? E ficou com medo de ter verruga na ponta dos dedos quando te pegaram contando as estrelas? Ou tenta gravar as placas dos carros que passam quando você faz uma viagem com a família cantando uma música-de-viagem- de-carro-com-família? A primeira vez que você decidiu escrever um diário é uma ótima notícia e vem bem lá de dentro. Um lugar que está guardado no momento em que você sorri ou um cheiro que você protege pra que ninguém te roube uma lembrança... Uma vida “tudjunt” precisa de muitas dessas notícias. Isso porque, me explicou um dia um cientista de cabelos brancos e de uma lingua enorme, que quando universos colidem, eles inventam e reinventam as notícias, tanto as de quem vê quanto as de quem é visto na hora da colisão. Eles criam notícias até depois do infinito, pra que assim o infinito não acabe...